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“O Caça marido será sempre inesquecível”, escreve Iza Zilli

Postado em

Curitiba, 1966

 

LEMBRANÇAS

O que significa a fase escolar? Marcante, inesquecível. É dela que trazemos recordações que levaremos para toda a vida. O colégio, os professores, as amizades que para alguns perduram até os dias de hoje. E o mais importante, os ensinamentos a nós transmitidos que de muito valeram para a nossa formação.

Quem não lembra de episódios marcantes acontecidos no colégio? Com o passar do tempo, fatos que se tornaram até divertidos em nossa visão atual mas que estarão sempre ativos em nossa memória com aquele gostinho de saudades e de gratidão.

Por isso através dessas cartas, tentamos resgatar lembranças, acontecimentos, enfim recordações de um tempo que já se foi mas que estará sempre marcado em nossas vidas.

O  Colégio de Educação Familiar do Paraná  marcou época em Curitiba. De ensino católico, foi iniciado no ano de 1953 e encerrou atividades em 1986. No Colégio, além da Escola Normal, eram ministradas disciplinas de formação feminina de grande utilidade até os dias de hoje para as alunas que tiveram a oportunidade de lá estudar.

Como eram cuidadosamente preparadas para os serviços do lar, além das disciplinas normais, o Colégio era chamado de “Caça Marido” apelido que ficou através dos tempos. Aprendíamos puericultura, culinária, costura e todo o necessário para a perfeita administração do lar.

O colégio era administrado por freiras que não usavam hábito. Filhas do Coração de Maria, formadas nos princípios da Revolução Francesa:  eram exigentes porem doces no convívio com as alunas.

A saída das aulas era um caso a parte. Depois da passagem pelo Sion e Divina Providência os rapazes e seus carros davam voltas e mais voltas na Rua Bento Viana lotando até as calçadas. As alunas se preparavam especialmente para esse momento. Cabelos, maquiagem e geralmente o encurtamento das saias.

Me recordo que esporadicamente fazíamos o almoço para convidados. Desde a correta arrumação da mesa, cozinhar e servir, éramos julgadas pelo nosso desempenho. Nesse dia o nervoso era grande e o receio de errar era constante. Até me recordo de uma passagem engraçada. Ter me desequilibrado e derrubado suco em uns dos convidados. Claro que a nota foi diminuída.

A segunda história inesquecível foi a tinta guache que atiramos nos longos cabelos loiros numa aluna da outra classe que nos encarava com soberba. Foi uma catástrofe própria da inconsequência da idade.

Os fatos engraçados aconteceram em grande escala mas também fomos marcadas pelo desaparecimento de duas amigas de classe que faleceram tragicamente. Sonia Bodziak e Norma Berneck. Duas líderes que deixaram saudades.

As religiosas eram compreensivas e as vezes permitiam um pequeno baile com salgadinhos e refrigerantes com inspetoras presentes e   rígido horário de começo e fim. Os rapazes disputavam os convites que eram limitados.

Tínhamos que estudar muito e as professoras super capacitadas eram exigentes e rígidas nas notas. Todas as disciplinas tinham peso.

O Caça marido será sempre inesquecível, fruto de uma época na qual os valores eram outros. Com o passar dos anos as mulheres foram mudando seu caminho optando por carreiras, Cursos, Universidades e independência financeira. Mas o colégio era excelente porque também nos colocou em contato coma realidade da vida. Tão inesquecível que depois de muitos anos formamos um grupo que se aproximou, e que tem ótimas recordações desse tempo feliz.

 

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