Carregando...

“Com fê e trabalho tudo dá certo” fala Gilda Hinz

Postado em

Curitiba, 4 de Novembro de 1990

 

GILDA HINZ; adora trabalhar. Atua em duas boutiques, a “Sítio Modas”, a “Gile Hinz” e ainda colabora com seu marido no Restaurante ” Lugganos’ ‘, cuidando da parte financeira. Gosta de movimento e de contactar com pessoas. Esta é Gilda, Sra. Clovis Bernardi.

 

Izza – Vamos falar de moda, o que você pensa sobre o assunto?

Gilda – Cada pessoa faz a sua própria moda de acordo com sua personalidade e seu tipo físico. Moda é o que te cai bem.

Izza – Você acha que a moda boje em dia esta sofrendo influência de alguém em especial?

Gilda – Eu diria que sim. Quem está influindo é a estilista inglesa Katherine Hamnet. Em suas camisetas predominam dizeres contendo principalmente mensagem de auxílio para o terceiro mundo, pacifistas. Nos falsos couros, no nylon, vinil, veludo molhado e lycra, o visual é altíssimo e os preços supersensíveis.

Izza – Você poderia citar uma pessoa elegante?

Gilda – Elegantes, são todas as pessoas que sabem vestir o que lhes cai bem.

Izza – Conte-nos sobre suas atividades?

Gilda – Sou mãe em primeiro lugar. Tenho três filhos maravilhosos, Henri Anderson (16 anos), Andressa (12 anos) e Clóvis Luiz Bemardi Jr., o neném de 2 aninhos. Tenho duas lojas, a “Sítio Modas” e a “Gile Hinz” e dirijo a parte financeira do restaurante de meu marido, o “Lugganos”.

Izza – Qual é o gênero de roupas que você comercializa em suas lojas?

Gilda – Há dez anos lido com o comércio. Na Sítio Modas, visto a mulher mais clássica ou esportiva. É aquela roupa que você pode usar à tarde e à noite. enfim o clássico jovem, leve que deixa a mulher bem vestida e mais moça. É uma moda versátil e se adapta a diversas ocasiões. Na Gile Hinz, no Shopping Mounif Tacla, predomina a moda jovem, moderninha de 12 à 20 anos, transada e descontraída.

Izza – Qual é o segredo de seu sucesso?

Gilda – Claro que a época está difícil para todos, mas principalmente agora temos que pensar muito antes de fecharmos um pedido. Por exemplo, se o comerciante depender de empréstimo bancário, é melhor fechar as portas, o importante é se manter com seus próprios recursos. O esforço para manter a meta de vendas mensal, tem que ser mantido. Outro ponto muito importante é o relacionamento com os clientes, que devem sentir-se em casa. Tenho clientes de anos e isso me gratifica, pois alguns até passam mensalmente na boutique nem que seja para tomar somente um cafezinho. Conversamos, trocamos idéias. Além das vendas procuramos transmitir alguma coisa boa para eles.

Izza: -Como está o comércio atualmente?

Gilda – Acho que só vai sobreviver quem tiver jogo de cintura, aqueles que continuam sempre buscando somente soluções, embora a crise esteja difícil de controlar. Temos que ter consciência que se não passarmos por tudo isso, dificilmente o Brasil terá melhoras. Se você conversar com alguém, com qualquer empresário vai ouvir que a situação está difícil e que todos estão vendendo muito menos do que esperavam. A moda gira em função desta economia.

Izza – Quais seriam as medidas a serem adotadas para superar a crise?

Gilda – Temos que procurar baixar os preços. Trabalhar com margem de pequenos lucros, porém com grande giro, não existe mais estoque. O segredo é comprar, vender, vender e queimar o que ficar nas prateleiras porque mercadoria parada gera prejuízo. Infelizmente os que compraram demais dificilmente superarão a crise. A princípio acharam que haveria o mesmo consumismo que houve no plano Cruzado e o que aconteceu foi totalmente o inverso. Quando às pessoas, a clientela continua comprando mas em menor escala procurando completar o que já tem. Mais do que nunca, a criatividade tem que ser agilizada.

Izza – Esta fase em tua opinião vai ser superada logo?

Gilda – Penso que serão necessários pelo menos dez anos para que as coisas se normalizem. Demoramos tanto para chegarmos a este ponto que não será de um dia para outro que a situação se estabilizará. O Collor está fazendo o máximo para que a inflação baixe, mas a solução não depende somente dele. É necessário a colaboração de todos. O que sei é que hoje, temos que trabalhar muito, às vezes em mais que uma atividade para termos condições de mantermos o essencial.

Izza – E a tua participação no “Lugganos”?

Gilda – Eu cuido da parte financeira, gosto de fazer contatos, de organizar festas, jantares, recepcionar, etc., isto me realiza. O Lugganos existe há 1 ano e estamos conseguindo manter o nível de preços acessíveis e bom atendimento, e a maior prova disso é a propaganda boca¬a-boca. O restaurante está indo muito bem porque acreditamos nele. Com fé e trabalho seria difícil não dar certo.

Izza – Pelo jeito você deve ser competente nos negócios.

Gilda – Eu gosto muito de lidar com o público, me realizo e não me sinto cansada. Isso me motiva. O que eu não poderia, seria ficar atrás da mesa escrevendo.

Izza – Como é a Gilda mulher?

Gilda – Reconheço que tenho uma personalidade fortíssima e sou um pouco teimosa. Até posso concordar momentaneamente com que as pessoas me dizem mas acabo sempre fazendo aquilo que no íntimo acho correto, não sou influenciável e muito decidida. Faço do meu dia e de meu trabalho uma festa sempre com ‘bom astral e os aborrecimentos passam logo.

Izza – Quais são teus projetos?

Gilda – No futuro pretendo montar um shopping com 50 lojas, e continuar no restaurante colaborando com, meu marido. Acredito que roupas e comida são essenciais e só através desses dois pontos acredito atingir a estabilidade. O importante para mim é continuar investindo no que a gente já tem, com garra e confiança.

Izza – Qual é a tua filosofia de vida?

Gilda – Levar a vida da melhor maneira possível junto com as pessoas que eu amo. Fazer do meu trabalho uma festa como já te falei, para mim não existe crise porque o meu dia a dia é repleto de fé e confiança no futuro .

 

Enviar por e-mail