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“Sensível criatividade” reflete Vera Akel

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Curitiba, 20 de janeiro de 1990

 

Vera Akel: convive com a moda há 12 anos, com muito sucesso. Proprietária de 10 lojas, dedica-se com amor ao que faz, criando, inovando e oferecendo às mulheres curitibanas mil sugestões para torná¬las mais elegantes. Nesta conversa, ela nos conta o porquê de seu sucesso. Essa é Vera, Sra. Ardisson Akel.

 

lzza – Como e quando a moda começou a fazer parte da sua vida?

Vera – Meu marido, o Ardisson, tinha uma fábrica de confecções que atuava a nível nacional, especializada em jeans. Decidimos elaborar um trabalho com mais sensibilidade e criatividade e começamos eu e o Ardisson, com uma pequena boutique, a Cuca Fresca. A princípio eu fazia roupa sob medida para algumas amigas e para mim; fomos aumentando a loja e, veja no que deu! Você sabe que a roupa sob medida tem que ser impecável, perfeita, portanto é bem trabalhosa. Então, resolvi fazer roupa sob numeração para esta mesma loja e a coisa ficou mais prática. E a partir daí, deslanchamos.

lzza – Você acha que hoje a mulher se detêm muito em moda?

Vera – Hoje ela não fica mais esperando que ditem a mo-da, que digam o comprimento das saias, as cores, o que vai se usar: Isso acabou. As minhas coleções tem calças largas, calças justas, saias longas e saias justas. Fica a critério da mulher, é ela que decide o que prefere usar baseada em sua idade, em seu modo de vida, no corpo que tem, o que lhe fica bem, onde e como usar. Uma roupa transparente pode não ficar bem num escritório, mas pode ficar linda na praia. Não existe mais o termo “fora de moda”, isso acabou. Essa evolução é fantástica! Com bom senso, a mulher certamente será elegante e poderá até usar uma roupa que esteja em seu guarda-roupa há anos. O verdadeiro da moda atual é que a mulher pode se dar ao luxo de ser várias Mulheres, sentir-se desportista, chic, charmosa, sensual, atraente e profissional.

lzza – Quantas lojas fazem parte da rede?

Vera – São dez lojas.  Sete “Cia da Roupa” e três “Batika”. Na Cia da Roupa 90% do que nós vendemos é de nossa fabricação, só não fabricamos os acessórios. Nas três lojas Batika o nosso sistema é de revenda. Multimarcas, mas eu pretendo futuramente, fazer com que as dez lojas tenham a mesma estrutura.

lzza – Qual é o seu objetivo?

Vera – Pretendo, cada vez mais, fazer uma roupa que não “esquente prateleira”, com preços acessíveis. Eu só acredito hoje, num trabalho muito rápido no comércio.

lzza – Qual é o primeiro passo para a adaptação de uma coleção?

Vera – Procuro adaptar a coleção apenas no que falta em meu guarda-roupa; tenho como base o que está fazendo falta para mim. É isso que eu procuro passar para a minha loja e tem dado muito certo. Procuro também ter sempre preços bons e fazer somente o que sinto que as mulheres desejam vestir. De nada adianta expor uma roupa que as pessoas deliram ao vê-la na vitrine e que não seja comercial. Não vendo nada que eu mesmo não usaria. Pesquiso para poder entender o que as mulheres gostam de vestir. Baseio-me muito na moda italiana e, por isso vou à Itália duas vezes por ano para ver as novidades. Acho que Londres é muito vanguarda, a moda francesa muito clássica.

lzza – De onde vem a inspiração para suas criações?

Vera – Me inspiro na moda italiana porque me identifico muito com o que a italiana veste. Eles conseguem tirar o que tem de melhor na moda londrina, na francesa e na japonesa e adaptam à sua própria moda. É lindíssima! Vou a Firenze, Milão e Roma para me atualizar também. Lá gosto de ver também a confirmação da moda, nas ruas.

lzza – Você acha que a crise atual está afetando o comércio?

Vera – Para mim, moda não é fantasia! O comércio passa por uma crise, é preciso punhos de ferro e muita presença de espírito para tomar decisões rápidas na hora da crise. Veja bem, eu só acredito hoje num trabalho muito dinâmico. A atualização dos preços e a rapidez são a única maneira de se ter lucro. Se você dormir no ponto estará prejudicada. Os desafios são diários e o trabalho não é fácil, porém para mim, é extremamente gratificante.

lzza – A procura da mercadoria diminuiu?

Vera – Claro que as pessoas passaram a comprar menos, mas a roupa ainda é a maneira mais fácil da pessoa se sentir bem, como falei anteriormente. Por isso, a pessoa ainda investe em roupas porque bem vestida, ela projeta uma imagem. A mulher que trabalha gosta de estar sempre bem. Ela reserva uma parte de seu salário para manter o seu guarda roupa atualizado. Acredito que a inflação e a nova mentalidade vão por fim a chamada moda descartável. As pessoas querem roupas duráveis, confortáveis, sofisticadas e principalmente de vida longa, preferindo às vezes, pagar mais caro pela qualidade e durabilidade. As roupas versáteis nos dão a possibilidade das variações sobre o mesmo tema. Às vezes um acessório muda completamente o visual de uma roupa.

lzza – Qual seria o gênero de roupa predominante em suas lojas?

Vera – Eu crio a roupa para a minha necessidade de mulher e profissional. Em nossas lojas eu só vendo roupas que eu própria vestiria. Eu sempre me propus a fazer roupas que sobrevivam da manhã até a noite com uma simples troca de acessório. Porque o cotidiano de uma mulher atual inclui: supermercado, escola de filho, ginástica, bancos, analista, trabalho, etc. Consequentemente, o ritmo da mulher de hoje é frenético. E essa roupa funciona tanto para viagens de trabalho quanto para finais de semana.

lzza – Em sua opinião quais são os problemas que a mulher geralmente enfrenta em seu guarda roupa?

Vera – Eu trabalho cada vez mais para resolver os quatro problemas crônicos que cada mulher sofre. Primeiro, enfrentar um armário lotado de roupas todas as manhãs com o mesmo olhar. “Eu não tenho nada apropriado para vestir”. Segundo, passar mal em viagem porque a metade da roupa é inútil e a outra metade está toda amarrotada. Por isso dou preferência a tecidos que não amarrotem e sejam práticos. Terceiro, o fato de hoje a mulher não poder se dar ao luxo de cansar da roupa na primeira usada; por isso ela em que pensar muito antes de comprar. E o quarto problema, encontrar roupas que a tornem mais magra. E fundamental! Tenho notado no decorrer de meu trabalho que a roupa deve emagrecer a pessoa que a veste porque não existe mulher no mundo que suporte a ideia de parecer mais gorda. E você sabe que existem certos tipos de roupa que realmente tornam a mulher mais magra. A cor sendo boa, alonga a silhueta. Eu tenho trabalhado dentro destes itens, porque estes quatro pontos me preocupam.

lzza – Como você vê a evolução da moda?

Vera – A moda evolui porque as pessoas evoluem e com isso, as suas necessidades, hábitos e costumes mudam. Veja o sucesso do jeans, malhas e todos os tipos de roupas esportivas. Atualmente, conforto e moda são quase sinônimos. As mulheres preferem as roupas que sejam confortáveis e, ao mesmo tempo, atuais porque assim elas se sentem bem. Eu espero que a moda dos anos 90 seja bem diferente da dos anos 80 porque a evolução da mulheres está criando uma dinâmica e esse processo não vai parar tão cedo. A mulher está cada vez mais confiante, valorizando¬se mais como pessoa do que como mulher. As roupas vão continuar sendo importantes. Espero, porque eu vivo da moda e além do mais, ela é a maneira mais fácil de nos vestirmos bem e de projetarmos uma imagem. Isso porque às vezes a pessoa não mostra a sua casa, o seu carro, somente se sobressai pela sua maneira de vestir. Não podemos esquecer que a mulher está cada vez mais se vestindo para sentir-se feminina. A roupa do dia-a-dia está se tornando mais sexy. Por exemplo, a malha strech, hoje tem uma ótima aceitação, não esquenta prateleira. Todas as peças que eu fizer desta malha cotton-lycra tem saída apesar do preço não ser muito convidativo. E depois, as mulheres se dedicam hoje cada vez mais à ginástica, musculação, etc. Antigamente, somente faziam regime. Agora a mulher se cuida mais e está cada vez mais exigente consigo mesma.

Izza – Como seus filhos vêem o fato de você atuar profissionalmente?

Vera – Tenho dois filhos. O Neim tem dezesseis anos, trabalha conosco, é muito inteligente e voltado à área de informática. Ele nos ajuda neste setor. A Michelle tem treze anos ainda não está trabalhando, mas acredito que brevemente ela entrará na nossa equipe. Meus filhos entendem esse meu lado profissional. Realmente eu fico pouco em casa, mas acho que ela é a minha empresa mais importante e eu procuro fazer com que funcione perfeitamente. Quando estou em casa procuro dar o máximo de atenção para eles. Penso que está tudo bem porque nunca tiveram problemas de notas baixas, ou de outra natureza. Acho que o mais importante que posso deixar para eles é a garra, a vontade de lutar por um ideal. Todas as outras coisas acabam com o tempo.

Izza – Como é a Vera executiva?

Vera – Sou uma pessoa extremamente objetiva. Se eu tiver somente uma hora para trabalhar por dia (às vezes tenho que viajar), nesta hora eu trabalho de cabeça, porque eu adoro o que faço. Confesso que gosto mais da parte da indústria, de criação, de elaboração da roupa, do que propriamente do comércio. Por isso, trabalhar para mim, não é sacrifício nenhum. Tenho pique, e assim me realizo.

Izza – O que você aprecia fazer nas horas de folga?

Vera – Atualmente eu tenho me dedicado uma hora de meu dia para jogar tênis, isso faz bem para a minha cabeça. Gosto de andar, ando 6 kms por dia. Se não temos compromissos sociais gosto de deitar cedo e de acordar cedo porque o trabalho pela manhã rende mais.

Izza – Para finalizarmos, quais seriam seus planos futuros?

Vera – Eu ainda sonho em fazer milhões de coisas! Me considero uma guerreira, pois gosto de desafios (sou libriana). Quero ter uma cadeia de lojas diferentes da Cia. da Roupa. Tenho muita fé neste projeto e já estou trabalhando nele. Neste ano de 90, quero abrir a minha primeira loja desta nova cadeia. É surpresa! Outro objetivo é expandir a rede de lojas Cia da Roupa para outros centros, em nossa região. Não só através de lojas próprias, como também através do sistema de “Franchising”. Aliás este projeto já está sendo detalhado e inclusive, temos tido várias consultas de pessoas interessadas em abrir lojas de nossa “griffe” em suas cidades. O que penso que atesta o sucesso que é a CIA. DA ROUPA.

 

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