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“COMO É BOM SER BOM, MAS MELHOR AINDA, É FAZER ALGUÉM FELIZ” expressa Lorys Marchesini

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LORYS MARCHESINI. É uma delícia bater papo com Lorys, porque ela trás consigo estórias fantásticas, que conta com toda a sua sensibilidade, e muitas vezes com saudade. Muito querida por todos que a conhecem, atua incansavelmente em prol das causas nas quais acredita. Membro efetivo da Sala do Poeta do Paraná, da Academia Feminina de Letras, da Associação Cristão Feminina, da Saza Lattes, do Centro Paranaense de Cultura, entre outros.


Foi a 1ª presidente da Associação de Diretores e Professores dos Grupos Escolares Noturnos do Paraná. Presidente do Clube Soroptimista Internacional. Fundadora do Colégio Isis Maria, fundou também a Arregimentação Cívica Eleitoral Feminina. Inúmeras vezes homenageada “Comendadora pela Soberana Ordem dos Cavaleiros de São Paulo Apóstolo,” Mãe do Clube Sírio-Libanês do Paraná. Mãe Universitária, Mulher Destaque pela Acepar, Destaque na Cultura Mulher Destaque do Clube Soroptimista e muitos outros. Esta é Lory.

 

IZZA – Lorys, você é uma pessoa muito querida por todos e participa do Clube Sirio-Libanês há muitos anos. Conte-nos qual seria a sua atuação?

LORYS – Atualmente eu estou como diretora social, mas já ocupei diversos cargos. Já fui diretora cultural, relações públicas, diretora de sede e oradora. Hoje, além de ser diretora social, sou oradora do departamento feminino, mas o meu fraco, confesso, é o Baile das Debutantes que organizo com muito amor e carinho. Este ano, é o décimo sétimo que faço dentro do clube, e estou gratificada porque muitas pessoas comentam que é um dos melhores de Curitiba. Não estou levando vantagem, são as próprias debutantes que dizem. Diariamente o telefone toca, sempre é uma mocinha pedindo vaga para debutar lá. Primeiramente aceitamos as inscrições das filhas de sócios, e depois havendo vaga, a moça que é apresentada por um sócio terá também a chance de debutar no Clube Sírio-Libanês. Temos este ano algumas cujos pais não são sócios, mas sempre acontece que estes pais acabam entrando no clube. É pequeno, muito fechado, pois temos somente mil sócios, mas a sede esportiva é maravilhosa. Temos piscina, tênis, vôlei, basquete, futebol. Fica em Santa Cândida.

IZZA – E este baile que você curte tanto, a organização fica sempre a seu critério?

LORYS – Sim, eu fico desde janeiro, ou melhor, terminando o baile eu já começo a ter idéias e pensar, na madrinha, e para esta escolha, tenho sido tão feliz, porque ninguém ainda recusou e não é fácil ser madrinha porque ela tem suas despesas como o lanche para as meninas e mães, jóias, o presente de cada uma. (Sinceramente elas têm ganho o melhor presente). Este ano a nossa madrinha é a Florlinda Andraus. Até me comovi quando a convidei porque o convite foi tão bem recebido, com tanta satisfação que ela está radiante e já encomendou presente das meninas. Já está preparando o lanche em sua residência. Já tenho madrinha para 89 e para 90. Isto me deixa muito feliz, não sei se tenho um jeitinho especial para pedir, só sei que consigo. Esta ideia surgiu quando eu era diretora cultural do Sírio e o sr. Kamal David Curi era presidente, e eu querendo fazer o melhor, exigi tantas coisas para o baile que não foi possível me atender.

Cortinas, móveis novos, presentes para as debutantes, e o meu pedido foi negado por falta de condições no momento. Então fui a São Paulo, porém receosa por ter largado a idéia do baile, mas achei a solução, me lembrei da Helena Mofarrej, meio parente minha. Liguei para ela e a convidei. O convite foi aceito e liguei para o Kamal para que ela fosse até lá. Ela e o marido ficaram tão felizes, vieram a Curitiba com uma comitiva de quinze pessoas. Na época ela presenteou cada debutante com uma placa de ouro com um brilhantinho incrustado e eu realizei o baile porque a despesa do presente já estava resolvida. O resultado, foi um baile maravilhoso. Isto aconteceu em 79. Em 80, eu trouxe uma madrinha do Rio de Janeiro. Em 81 foi a Lourete Tacla; em 82, a Nina Hamdar; em 83, Aríete Richa; em 84, Ironita Abage; 85, foi Diana Nasser e assim tenho conseguido.

IZZA – Este é um sistema bem diferente, não é?

LORYS – Todos os anos eu procuro renovar para não cair na rotina. No ano passado pensei muito para fazer algo novo e me lembrei do trem Maria Fumaça. Fui à Rede Ferroviária, consegui o trem e levamos as meninas até a Lapa, elas onde foram recepcionadas pelo diretor de Turismo, muito badaladas, estiveram em diversos locais, e à noite retornamos. Este ano, vou mais longe. No dia 4 de novembro vamos a Foz do Iguaçu. Já entramos em contato com o Hotel Bourbon, eles vão recebê-las com um coquetel e um preço especial. Para o ano que vem ainda não sei. Este ano o baile é no dia 8 de outubro. Quando sair esta entrevista, elas já terão lanchado na casa da madrinha na quarta-feira. No dia 4, a Ligia Hakim oferece também um lanche. Nos dias 3 e 5, haverá ensaio no clube; no dia 6, o próprio clube oferece um jantar para a menina, os pais, e mais uma pessoa; e no dia 8 é o acontecimento.

Adoro este clima de festa e não deixo nem um mocinho de braços cruzados no salão. Fico triste quando vejo isso, as moças tão bem arrumadas e alguns rapazes parados. Geralmente nossos bailes terminam com músicas carnavalescas, são muito animados. Eu vibro com elas, é algo meu, está dentro de mim. No ano passado a felicidade foi dobrada porque Maria Eduarda, minha neta debutou. Eu sempre dizia que organizaria os bailes até que ela debutasse, mas foi eleita a nova diretoria e eu acabei como diretora social. Enquanto a cabeça e as pernas ajudarem, eu não paro. Dando para pensar está tudo bem. Gosto de badalar os outros. Como me sinto bem, quando faço algo que alegre o ser humano, fico mais feliz do que o próprio homenageado.

IZZA – Você sempre participou de eventos e de grande movimentação?

LORYS – Quando jovem eu participei, fui oradora do Grêmio Estudantil, da Escola Normal de Ponta Grossa. Antes estudei em São Paulo e sempre participei da diretoria dos estudantes. Quando solteira, participei de festas cívicas dos colégios porque lecionei durante 35 anos e me aposentei como professora de Turismo de Colégio Estadual. Formei as duas primeiras turmas de Turismo. Eu fiz o curso no Morumbi depois de viúva.

Quando meu marido faleceu, eu resolvi estudar. Antes cumpri minha missão de mãe até que elas estivessem maiores. Quando chegou a hora, durante quatro anos estudei em São Paulo, vinha para cá nos finais de semana pois uma de minhas filhas estava morando com minha mãe para que eu pudesse terminar o curso. Foi muito bom, aprendi muitas coisas, trabalhei muito no Turismo. Hoje trabalho para os outros com o maior prazer. Quando deito e faço um balanço do que fiz durante o dia e concluo ter feito algo de bom para alguém, durmo feliz. Acho que puxei meu pai.

Este lema do Clube Soroptimista “Quem não serve para servir, não serve para viver”, fui eu quem pus na época em que fui presidente. Fiquei 6 anos no cargo, de 66 a 71. Ainda não havia acontecido isso no Soroptimismo mundial, mas não sei como fiquei tanto tempo. Sei que cooperei muito com o Clube, na época ganhamos dez lotes no Jardim das Américas onde hoje é a Creche Leonor Castellan. Me lembro bem: fiz uma viagem com as soroptimistas, fantástica e até ganhei uma placa de prata. Embaixatriz do Soroptimismo – porque desbravamos os Andes em 69. Em dois ônibus da Penha, fomos para o Chile no mês de setembro. Quando passamos pelo túnel os homens com picaretas tinham que romper o gelo para que pudéssemos prosseguir. Esta viagem ficou marcada na história. A revista Cruzeiro e a Manchete traziam artigos sobre isso “o desbravamento dos Andes pelas soroptimistas”. Eu comandei esta façanha e foi fantástico.

IZZA – Esses títulos todos que você recebeu e continua recebendo, é uma coisa muito gratificante, não é?

LORYS – Claro que é. Guardo com o maior carinho. O último foi a comenda “Chapéu de Couro”.

IZZA – Você tem muito o que contar, pois já viveu momentos lindos, de homenagens etc. Neste tempo todo o que teria marcado mais?

LORYS – Quando minha mãe estava doente, os parentes vinham para Curitiba visitá-la e ela adorava, mas sempre dizia que quando ela não existisse esses laços familiares acabariam. Eu lhe prometi que faria tudo para que não fosse assim. De dois em dois anos, fazemos o encontro da Família Chama. Reúnem-se 600 ou 700 pessoas. Fizemos um lindo em São Paulo onde cada família entrava com seus filhos e eu lia a história. Foi emocionante e marcante. O próximo será em Curitiba. É um acontecimento, bem preparado e as pessoas vêm de sete Estados. O nome é “Enfaixa”. Isso me representa muito porque quando tocamos na família, nossa sensibilidade aflora.

IZZA – Você está sempre presente nos acontecimentos sociais?

LORYS – Eu adoro. Não sei ficar em casa, me habituei com meu marido e continuo. Aprendi a gostar com ele, de festas, de cinema etc. Gosto muito e tenho uma vida social bastante agitada. Acho uma distinção receber um convite. Se as pessoas lembram da gente e mandam um convite é porque querem a nossa presença, por isso só falto em último caso, por uma questão de saúde ou viagem, senão compareço e faço jus ao convite. Às vezes tenho três ou quatro numa noite só, e vou a todos nem que seja apenas uma passada em cada uma.

IZZA – Você acha positiva a existência de tantas entidades filantrópicas, clubes de serviço, associações etc?

LORYS – São excelentes, mas eu acredito que se tivéssemos menos entidades e mais mulheres para trabalhar, o serviço seria muito mais rendoso, teria mais progresso. Temos muitas entidades boas, baseadas em bons princípios e as que trabalham são sempre as mesmas. Veja eu, sou do Clube Soroptimista, do Sírio-Libanês, do Centro Feminino de Cultura, da Irmandade Ortodoxa, e assim como eu sou de diversas, minhas amigas também são. Se tivéssemos menos entidades e bem organizadas onde cada uma se dedicasse àquele serviço, o progresso seria muito maior. Ainda mais, se tivéssemos uma Federação, seria um espetáculo. Veja só, uma diretoria composta de 12 ou 15 pessoas, quem trabalha? Presidente, tesoureira, secretária, são sempre 3 ou 4 que atuam, as outras são figuras decorativas.

IZZA – E sobre a liberação feminina?

LORYS – Esta liberdade que a mulher tem hoje, foi benéfica e está sendo, em prol da nossa sociedade. Antes ela se acomodava em casa, era do lar, os maridos não gostavam, e hoje as mulheres já têm suas faculdades, já fazem o que querem, e mesmo, a vida está muito muito diferente. Toda a esposa tem que colaborar com o marido. Tudo está caro e ela pode auxiliar na despesa da casa. Creio que a nossa vida é muito melhor do que a dos outros tempos. Ela, tendo sua liberdade pode dizer o que quiser.

IZZA – Mas, você não acha que nos anos 30, 40, 50 a mulher tinha mais tempo de ser feminina?

LORYS – Era feminina, mas não podia se agitar. O que ela podia fazer, era lecionar. Esta profissão, professora, era cabide, ela dava suas aulas e educava seus filhos. Hoje, temos muitas em diversas profissões liberais, advogadas, engenheiras, médicas. Claro, ficou mais trabalhoso porque ela não tem mais tempo de ser coquete, mas está dentro de um plano de trabalho, conquistando espaço. Antigamente até suas opiniões eram dirigidas pelo marido, por exemplo no caso do voto, ela primeiro perguntava para o marido. Aqui em casa era diferente, porque sempre tive minha própria opinião. Eu sempre soube o que eu quis, talvez tenha sido a educação dada pelos meus pais. Eu me lembro do primeiro discurso que fiz, fui escalada pelo Centro Cultural da Escola Normal, cheguei em casa e contei para a minha mãe, e ela me mandou escrever, depois me pôs na frente do espelho e me mandou falar, e ia me orientando. Foi ela a minha professora de oratória. E cada vez que eu falo em público, tenho minha mãe na minha frente. Depois que eu casei, meu marido não admitia, mas com o tempo mudou de idéia e até me estimulava.

IZZA – A que você atribui o fato de ser tão querida por todos?

LORYS – Eu sempre digo, como é bom, melhor ainda é fazer alguém feliz. Eu procuro ser boa e espalhar a felicidade.

IZZA – E sobre os movimentos filantrópicos?

LORYS – Acho a mulher curitibana extraordinária. No caso de uma campanha, todas apóiam. A filantropia aqui em Curitiba, marca muito. A curitibana é compreensiva. Nós temos senhoras extraordinárias que dão muito de si aos menos favorecidos e que apóiam todas as campanhas. Esta, organizada pela Juril Camascialli em prol dos bóias-frias, por exemplo, foi maravilhosa e a própria comissão viajará para fazer a entrega dos mantimentos. O auxilio foi incrível, com muito sucesso. À vezes pedimos uma coisa e recebemos o triplo, é só saber pedir. Talvez seja porque aqui o centro é mais fechado, porque em São Paulo e Rio já é mais difícil. Sei que o governo não tem condições de amparar tantos casos, e se a comunidade não colaborar, eles não conseguem, porque o número de indigentes é grande.

IZZA – E para finalizarmos, Lorys, o que você gostaria de dizer?

LORYS – Às minhas amigas que são ótimas e que sabem dar tanto de si em prol dos mais necessitados, todo o meu carinho, meu respeito, todo o amor, porque essas que lutam são extraordinárias, quer seja no campo filantrópico, cultural, social. Elas procuram muito beneficiar os que necessitam. Vocês são maravilhosas, recebam aquele abraço carinhoso de quem as quer tão bem, que é essa amiga
simples, modesta e que se chama Lorys.

 

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