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Marco Ântonio Monteiro da Silva

“Menina dengosa que se diverte e ri ” escreve Marco Ântonio Monteiro da Silva

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Marco Ântonio Monteiro da Silva

Curitiba, 2 de dezembro de 1990.

Alô Curitiba!
Menina dengosa que se diverte e ri com os primeiros raios de sol de uma insuspeitada e quente primavera, como há muito não se via. Menina “experta”, que se renova, a cada dia, oferecendo-se por inteiro a todos que por aqui passam (e acabam querendo ficar….)
Salve Curitiba!
Cada manhã de inverno que nos acorda cercada de neblina, uma Londres da Sul-América,
nos relembra de velhas histórias, de velhas lendas e novos “vampiros”.
Viva Curitiba!
Você que soube criar e manter a memória de figuras folclóricas que povoaram suas ruas.
Você é a Curitiba da Maria Cavaquinho, do Smaga, da Gilda, do Bataclan e de tantos outros que
deram vida ao “petipavê” das calçadas e calor ao coração dos curitibanos.
Boa tarde Curitiba!
Você que já viveu tanta coisa, boa e ruim. Você que viu a história se fazer com gestos de bravura e até caricatos. Curitiba da ida dos pracinhas para se imolarem em nome da Pátria; Curitiba da “guerra do pente”, Curitiba da “Batalha do Centro Politécnico”.
Curitiba das Universidades, cidade universitária; cidade que ri, cidade ecológica. Se você não
existisse sem dúvida teria que ser inventada, com todas as suas características.
Buona Sera Curitiba!
A você Curitiba italiana de Santa Felicidade! Mas que felicidade, você que tem, provavelmente, a única santa padroeira da gula, da gostosa gula de um bairro gastronômico.
Tindobre panhe Curitiba!
Minha, nossa, Curitiba eslava, polaca, russa, ucraína, slovaca e eslovena. Você que dizem
tão esquiva, tão fechada, tão cheia de “não me toques”. Mas quem a toca sabe
quanto é suave, firme, “caliente” e aconchegante.
Ah! Curitiba. Eu, como tantos outros, que viemos de outras terras, de outras
plagas aqui encontramos nosso lar.
Pela qualidade de vida, pela qualidade de povo, pelo oásis da seriedade com que nos
acostumamos encará-la um pouco do que é.
Talvez alguns de nós tenhamos saudade do tempo em que era ainda pequena, do tempo em que uma fofoca surgida no Batel logo chegava ao Juvevê. Saudade do tempo em que todos os dias víamos cada amigo em cada esquina da sua Rua das Flores.
Mas o bom de você, minha Curitiba, é que, embora crescendo, não perdeu aquele quê de nossa província, aquele não-sei-quê de interiorana, que nos permite aquele não-sei-quem
e ou outros não-sei-onde, mas que todo mundo sabe e que todo mundo diz.
Você Curitiba do Paiol, do Guaíra, do SESC da Esquina, da Confeitaria das Famílias,
da Gênova e da Lancaster; do Couto Pereira, da Baixada Saudosa e do Durval de Brito;
do Relógio das Flores, do Bosque do Papa e do Largo da Ordem. Você, Curitiba do Barigui,
do São Lourenço e do Bacacheri, do Centro de Letras, do Museu Paranaense e das Galerias
de Artes; Curitiba da tanta gente famosa, de tanta gente importante, de tanto
trabalhador sem nome que a constrói um pouco todo dia.
Curé etuba dos primeiros índios até Curitiba da virada do século XXI.
Cada dia de sua história, cada momento de seu povo estão vivos dentro de nós.
Escrevo estas mal traçadas linhas, meu amor, para dizer que fecho os olhos a todos os
problemas que você como metrópole, como capital, tinha que ter e, evidentemente, tem.
Se, como se diz quem ama o feio, bonito lhe parece, como é fácil para nós, que a temos linda, dizer: EU A AMO, CURITIBA!

MARCO ÂNTONIO MONTEIRO DA SILVA
Advogado e Empresário