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João Batista Brotto

” Perdoe a intimidade ao chamá-la de querida! “, diz João Batista Brotto

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Curitiba, 26 de agosto de 1990.

Minha querida Curitiba.
De inicio quero que você perdoe a intimidade ao chamá-la de “querida”, mas convivendo com você desde os idos de 1955 quando aqui chegamos vindos de Piraí do Sul em busca de melhores condições de estudos para considerável quantidade (8) de Brotinhos – adotados com tanto carinho por você – este é o mínimo adjetivo com que posso homenageá-la.
Conhecendo os teus caminhos, a tua face, as tuas qualidades e deficiências pesando-os,
sobra uma imensa quantidade de “prós” e uma pequena de “contras”.
É contudo sobre as suas deficiências que nos, seus filhos adotivos ou não, devemos refletir e procurar dar a nossa contribuição para amenizá-las. Problemas como déficit habitacional, infância abandonada, menores carentes, segurança publica, consciência ecológica, limpeza urbana e violência de transito podem ter o seu inicio de solução ao olharmos com carinho a educação de gerações que, a médio prazo, tornarão ainda melhor as suas condições de vida. É, verdade que os problemas acima enumerados, aqui, não tem a dramaticidade da maioria das cidades do Brasil. Mas, também é verdade que, talvez pelas raízes européias que tornam seus habitantes tão exigentes, não nos contentamos com nada além do melhor. Com a solução destes e outros problemas menores poderemos orgulhosamente, colocarmos entre as suas inúmeras qualidades a de uma perspectiva, para seus habitantes, de um nível de vida digno de uma boa cidade do 1º mundo.
Aí, sentiremos ainda prazer ao desfrutarmos de coisas tão simples e talvez sem significado para quem não a conhece. Tais como: um domingo no Barigui, a coalhada da Schaffer, o quindim da Confeitaria das Famílias, as crianças desenhando no calçadão da Rua das Flores, a feirinha do Largo da Ordem, as empadinhas do Caruso, uma tarde de domingo na Avenida Batel, coisas que a fazem tão maravilhosamente provinciana. Para terminar, minha querida, queria te confidenciar um sentimento que a minha timidez curitibana
só permite sussurrar ao seu ouvido: EU TE AMO!

JOÃO BATISTA BROTTO
Empresário
Diretor da Galeria Dell’Arte