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Aroldo Murá Gomes Haygert

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“A Voz da Biblioteca” era um jornalzinho feito em mimeógrafo, na década de 50, pelos jovens que frequentavam a sala infanto-juvenil da Biblioteca Pública do Paraná. Em seu expediente, no entanto, como secretário de redação, um nome que viria a ser um dos mais respeitados do jornalismo paranaense. “Eu tinha apenas 14 anos”, lembra o secretário da “Voz da Biblioteca”, Aroldo Murá Gomes Haygert que, na mesma época, fazia, usando papel carbono, o jornal “Nova Era” do Movimento de Ação Católica da Catedral de Curitiba.

 

Hoje, aos 59, diretor da redação do “Jornal do Estado” de Curitiba, ele é dono de uma carreira sólida, marcada por rigor profissional e intelectual, amor ao jornalismo e dedicação ao Paraná. Seus 40 anos de profissão podem ser avaliados pelos veículos de comunicação que editou e dirigiu tanto e pelo grande número de profissionais que formou. Dezenas de jornalistas consideram-se seus alunos. Em qualquer redação de Curitiba ele é conhecido como “professor Aroldo”.

Em 1960, Aroldo teve sua primeira oportunidade como profissional, na revista “Clube”, com Dino Almeida e, no mesmo ano, foi trabalhar no “Diário do Paraná”, da rede Diários Associados. Mas foi corno diretor da “Voz do Paraná”, a convite de Roaldo Koehler, que começou a construir sua fama de jornalista capaz de projetar um veículo. O diário católico marcou época no jornalismo paranaense.          ·

Nos morros cariocas, o biotipo germânico do jornalista de Curitiba o fazia passar por estrangeiro. Foi urna das melhores experiências de Aroldo corno repórter, em 67, no “Diário de Notícias”, do Rio, e também no Departamento de Imprensa da Esso, como repórter e redator da primeira grande revista empresarial do país, a “Revista Esso”.

O calor do clima local era estranho para quem nasceu na fria São Francisco do Sul e, aos sete anos mudou-se, acompanhando os pais, para Irati, no sul do Paraná. Sentiu saudade da geada. Voltou para Curitiba. Concluiu o curso de Jornalismo na Universidade Católica onde, mais tarde, passou a lecionar Técnica de Jornal.

Nessa época, também era representante de veículos de comunicação cariocas, corno a “Galeria de Arte Moderna”, especializada em arte. Atuou ainda na sucursal do “Correio da Manhã” e na rádio “Ouro Verde”, onde foi responsável pela criação do Departamento de Jornalismo. Dirigiu a sucursal paranaense da Empresa Brasileira de Notícias e, durante 14 anos, foi o diretor de redação do “Jornal Indústria & Comércio”, de Curitiba.

Sempre esteve presente no trabalho de Aroldo Murá a tentativa de vencer o aspecto perecível do jornalismo diário. Em veículos de comunicação analíticos registrou a memória de Curitiba e do Paraná, com observações refinadas e farta documentação.

A qualidade desses trabalhos, principalmente nas revistas “Referência em Planejamento” (dos anos 70 e 80) e “Memória da Curitiba Urbana”, os transformou-os em fontes de pesquisa respeitadíssimas, sendo seus exemplares disputados por historiadores e colecionadores.

“Memória da Curitiba Urbana”, publicação criada e dirigida por Aroldo no lppuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba) reúne, em vários volumes, toda a história do projeto de modernização de Curitiba, que teve suas origens no Pladep, no governo Lupion, foi implementado a partir da passagem de Ney Braga pela Prefeitura da capital e, finalmente, tornou-se estratégico nas sucessivas gestões de Jaime Lerner.

Outra colaboração do jornalista para o registro da história do Paraná foi a série “Memória”, patrocinada pelo banco Bamerindus. Na equipe, João Dedeus Freitas Neto, Luiz Geraldo Mazza, Aramis Millarch, Hélio Puglielli, Renato Schaitza e Aroldo Murá Gomes Haygert. O resultado do trabalho são cerca de 350 entrevistas de vital importân­cia para a memória paranaense.

AROLDO

Costumo brincar que sou paranaense há 52 anos, pois vim para este estado quando tinha sete anos de idade, devido a uma transferência de meu pai, na época funcionário do IBGE. A primeira cidade em que moramos foi Irati, onde ele foi responsável pela instalação do IBGE, além de ter trabalhado corno professor de Matemática. Foi lá que eu e meus três irmãos iniciamos os nossos estudos, no colégio São Vicente de Paula, instituição antológica na educação no sul do estado. Depois, meu pai foi transferido inúmeras vezes e moramos em diversas cidades, entre elas Curitiba, onde estudei no Colégio Estadual do Paraná.

Para mim, foi muito importante viver o processo de modernização de Curitiba, atuando ao lado de Jaime Lerner e de sua esposa, Fani Lerner, seguindo a trajetória dessas pessoas. Testemunhei a história dentro do jornalismo, trabalhando ao lado de personalidades como João Dedeus Freitas Neto, a memória viva do Paraná.

O que me gratifica no jornalismo é a possibilidade de descobrir talentos. E posso dizer que Deus me dotou de um faro muito especial para descobrir e cultivar bons jornalistas. Não poderia citar nomes, tantos são os que passaram pelas redações que dirigi, alguns começando como estudantes, e que hoje trabalham até em Nova York, corno é o caso de Adahil Félix e, Hilton Hida, que estão no “Wall Street Journal” e frequentemente têm artigos publicados pelo “O Estado de São Paulo”.

A tinta de jornal me fascina. Seria uma graça para mim morrer lúcido e trabalhando dentro de urna redação.

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