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A educação dos talentosos e superdotados

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MARIA LÚCIA FRAGA SABATELLA

Verde e amarelo são suas cores prediletas e uma de suas maiores preocupações é a educação dos talentosos e superdotados brasileiros.
Os jovens pertencem a uma geração que foi atendida por campanhas de vacinação, preservados das doenças infantis, conscientizados das vantagens das práticas desportivas o que resultou em indivíduos mais saudáveis e até fisicamente mais altos e desenvolvidos que os próprios pais.
Mas, Maria Lúcia vai mais além .Ela verificou que no Brasil, independente da faixa social, temos uma geração de crianças mais inteligentes. Apesar dessa constatação, a sociedade, os professores, os pais e as autoridades ainda não perceberam esta realidade .Ou, se perceberam nada foi feito efetivamente para aproveitar esse potencial.

 

OPINIÃO- Entre as crianças e jovens superdotados e talentosos de hoje, encontram-se aqueles que, adequadamente desenvolvidos, serão os cientistas, os governantes, os empresários, os escritores, os atletas de renome no Brasil de amanhã.

SUPERDOTADO- Os estudos mostram que indivíduos em altos níveis de inteligência apresentam diferenças biológicas, não pelo nascimento, mas como resultado de sua interação com as oportunidades que foram proporcionadas. Assim, toda a criança se for estimulada, aumenta o número de células auxiliares cerebrais que resultará em alteração na velocidade e nos seus padrões de pensamento.

DESVIOS- Como os professores não estão capacitados na sua formação profissional para a identificação de crianças de maior potencial, eles não estão recebendo o tratamento e os desafios e o apoio que necessitam. Haverá sempre o risco de que possam desviar sua conduta pelo sentimento de frustração, de insatisfação e se desajustarem, transformando-se em elementos nefastos à própria sociedade. Bandidos famosos como o Escadinha e o Lúcio Flávio foram comprovadamente superdotados.

DELEGADA-Associei-me ao Worl Council for Gifted and Talented Children (Conselho Mundial para Superdotados e Talentosos) e neste ano fui eleita delegada no Brasil, representando nosso país dentro desta organização internacional .A cada dois anos nos reunimos em um país diferente e debatemos o que há de mais moderno em educação no mundo. Apresentei minha proposta de trabalho ao Conselho e diversos países se interessaram por ela.

PROJETO -Pesquisei sobre a superdotação, fiz mestrado e trabalhei 6 anos para chegar a um modelo de alternativa educacional para alunos Superdotados e Talentosos. A proposta do Instituto para Otimização da Aprendizagem é de proporcionar o espaço onde, além da escola, os alunos superdotados possam desenvolver adequadamente seu potencial .Sua implantação, como unidade piloto que sirva de célula inicial a ser copiada por outras instituições brasileiras, é um de meus maiores sonhos.

EVASÃO – A evasão das inteligências brasileiras tem ocorrido sistematicamente. Muitos de nossos alunos quando vão estudar e se especializar no exterior não voltam mais. Apenas na NASA há mais de cem técnicos brasileiros.

ATUAÇÃO -Comecei a sentir a necessidade de ajudar essas crianças por estar atuando em dois estabelecimentos de ensino: uma escola de artes(Escola de Música e Belas Artes do Paraná) e uma escola de ensino regular (Colégio Dom Bosco) , onde era evidente o número crescente de alunos com alto potencial .Como o campo de pesquisa no Brasil era restrito me associei à National Association for Gifted Children (U .S.A) para receber material de consulta. Essa associação fez agora sua 43 reunião anual .congregando representantes de todos os estados norte¬americanos .Aí vemos como o Brasil está engatinhando nesse assunto.

LUTA- As tentativas de colocar em prática minha proposta dentro de nosso estado tem sido infrutífera. Normalmente me encaminham crianças para serem atendidas, pois sabem que conheço o assunto, mas quando peço para que se abra espaço nas escolas, nos cursos, para maior informação a esse respeito, as entrevistas são adiadas ou até canceladas.

EXTERIOR -Hoje já estou colaborando com textos para o segundo livro editado pela National Association for Gifted Children. Fui convidada a escrever sobre programas especiais para superdotados e sobre a situação da educação do superdotado no Brasil. O curioso é que uma associação norte-americana valorize um educador brasileiro e o inclua entre seus autores. Tenho sido respeitada pelas tentativas de abrir caminho para que as crianças brasileiras recebam a educação que a nossa legislação prevê, mas que não é cumprida.

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